tudo que sei na vida são ossos.

estes ossos que raspam em rútilos de impulso e susto

em cimos de pústulas e insultos.

 

tudo que sei é que meus ossos rangem.

rugem o sol a se pôr de um leão vermelho em rito e ferro e olhar de norte

a cantar o vômito faminto

do cansaço

do escorreito

do homem pobre.

 

o olhar de canto do eremita entoa cada lágrima hieroglífica cravada em curvas nos
meus ossos

e espreita o pêndulo a laçar suspeita qual vermelho dando graças: prece.

 

a calha lamenta em ósculo o ritmo da chuva.

à noite, andrajos, levantei-me; quantas noites mal dormidas?

o leão no espelho ruge em sete runas todos os percalços

dos meus atavismos, todos os brancos dos meus cinismos

todos os meus cansaços.

 

volto à cama e chuva, meu senão mofado.

e tudo que sei é que meus ossos rimam.

como um leão velho e molhado.

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Sobre jeffdamn

" D'où vous vient, disiez-vous, cette tristesse étrange / Montant comme la mer sur le roc noir et nu ? "
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